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O hipogeu ٣٦ da quinta do castelo ٥ (salvada, beja) ou uma revisão da partição por schubart do bronze do sudoeste

The Hypogeum ٣٦ of Quinta do Castelo ٥ (Salvada, Beja) or a review of the partition of the Southwestern Bronze Age by Schubart

António M. Monge Soares, Pedro Valério

Centro de Ciências e Técnicas Nucleares (C2TN), Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

Ever Calvo, Marina Lourenço, Patrícia Simão

Era-Arqueologia, S.A.

Rui Monge Soares

UNIARQ- Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa

FCT-Fundação para a Ciência e Tecnologia

Recibido: 12/07/2018

Revisado: 16/01/2019

RESUMO

Procedeu-se ao estudo de um hipogeu funerário da Quinta do Castelo (Salvada, Beja), no qual tinha sido depositado um corpo em decúbito lateral, acompanhado de dádivas funerárias que consistiam num punção e num copo/taça tipo Odivelas. Após se proceder à análise antropológica dos restos ósseos do esqueleto inumado, foi o mesmo datado pelo radiocarbono, o que permitiu atribuir-lhe uma cronologia dos finais do primeiro quartel ou dos inícios do segundo quartel do II Milénio a.C. Tendo em atenção a datação obtida, bem como as características das dádivas funerárias registadas no hipogeu, conjuntamente com outra evidência arqueológica, designadamente no referente à variada tipologia das estruturas funerárias características do Bronze do Sudoeste e respectiva cronologia, procedeu-se a uma revisão crítica da partição efectuada por Schubart (Bronze 1 e Bronze 2), a qual tem sido seguida, na generalidade, até hoje.

PALAVRAS-CHAVE

Bronze do Sudoeste; hipogeu funerário; taça tipo Odivelas; “alène”; datação por radiocarbono.

amsoares@ctn.tecnico.ulisboa.pt

Aceptado: 24/05/2019

Publicado: 05/07/2019

ABSTRACT

A funerary hypogeum at Quinta do Castelo (Salvada, Beja), in which a body was deposited in lateral decubitus, accompanied by grave goods consisting of an awl and an Odivelas cup, was studied. Following anthropological analysis of the skeletal remains, the individual was dated by radiocarbon, which allowed to assign a chronology of the end of the 1st quarter or of the beginning of the 2nd quarter of the 2nd Millennium BC to the burial. Taking into account this chronology, as well as the characteristics of the grave goods recorded in the hypogeum, together with other archaeological evidence, namely regarding the varied typology of the funerary structures characteristic of the Southwestern Bronze Age, a critical review of the Middle Bronze Age partition in Bronze 1 and 2, made by Schubart, which has generally been followed to date, was carried out.

KEY WORDS

Southwestern Bronze Age; funerary hypogeum; Odivelas cup; awl; radiocarbon dating.

1. Introdução

Durante os trabalhos de minimização de impactes sobre o património cultural decorrentes da execução do Bloco de Rega de Baleizão-Quintos (Fase de Obra), promovidos pela EDIA, foram identificados e sujeitos a intervenções arqueológicas de campo diversos sítios arqueológicos, designadamente quatro deles na área da Quinta do Castelo, localizada na freguesia da Salvada, concelho de Beja. Estes sítios, cuja localização geográfica é indicada na figura 1, abarcam cronologias diversas que vão desde a Pré-História Recente até à Antiguidade Tardia. Para este trabalho interessa-nos, especialmente, o que foi denominado por Quinta do Castelo 5 (QC5), no qual foram identificadas 42 estruturas negativas, a maior parte delas de tipo fossa, com planta circular. O espólio associado, na sua quase totalidade ainda inédito, permite atribuir-lhes uma cronologia dentro do Calcolítico, umas, ou do Bronze do Sudoeste, outras. Registou-se, ainda, uma fossa de planta rectangular (Sondagem 38), com um enterramento atribuível à Primeira Idade do Ferro, a que se associava um espólio de grande riqueza e que já foi objecto de uma publicação preliminar (Calvo e Simão, 2017).

Fig. 1 - Localização dos sítios arqueológicos da Quinta do Castelo, no Google e num extracto da C.M.P., Esc. 1:25000, Folha 511.

Além deste enterramento, foram registados dois outros: um realizado numa das fossas de planta circular (Sondagem 33), cujo parco espólio cerâmico não permite atribuir-lhe uma cronologia precisa (Calcolítico ou Idade do Bronze), e um outro, efectuado num hipogeu (Sondagem 36), cujo estudo constituirá o objectivo primeiro deste trabalho. Para além disso, o estudo do contexto arqueológico registado na Sondagem 36, servirá para desencadear alguns comentários e reflexões acerca do faseamento do Bronze do Sudoeste peninsular, proposto por Schubart (1975), designadamente sobre a sua validade actual.

2. O Hipogeu 36

2.1. Escavação e Espólio

No decorrer do acompanhamento arqueológico de obra foi identificado um conjunto de pedras, aparentemente não estruturadas, inseridas numa mancha de argilas castanhas. Com o objectivo de efectuar o diagnóstico desta ocorrência foi implantada uma sondagem de 2 x 1,7 m (Sondagem 36).

Uma vez retirada a camada superficial, foi identificado um depósito argilo-siltoso, de cor castanha escura, embalando calhaus de tamanho médio (UE 3600). No processo de remoção desta unidade foi registada uma pedra afeiçoada, de forma alongada, um possível betilo (figura 2), o qual se apresentava tombado, em aparente posição secundária.

Fig. 2 - Possível betilo, identificado caído e parcialmente coberto pela UE3600.

Sob esta unidade, foi registada, no sector este da sondagem, uma pedra de grande tamanho (UE 3602) que, posteriormente, se verificou constituir o fecho da câmara de um hipogeu (Fig. 3), o qual tinha sido escavado no substracto rochoso (caliço). Esta pedra separava a UE 3600 de um novo depósito sedimentar (UE 3605), constituído por argila muito siltosa, de cor castanha, com uma inclusão forte de cascalho, o qual preenchia a câmara do hipogeu (UE 3607), a qual apresentava forma subcircular. O átrio ou ante-câmara (UE 3603) apresentava-se como uma fossa subrectangular, encontrando-se a câmara, na sua zona nordeste, a uma cota inferior (figuras 4, 5 e 6). Na câmara foi registado um enterramento (UE 3604) (figuras 5A e 7), encontrando-se o esqueleto, em mau estado de conservação, em decúbito lateral direito (ver, adiante, 2.2. Análise Antropológica), sobre o solo, aparentemente encostado a um murete de que restavam (ou que era constituído por) duas pedras alinhadas.

Como dádivas funerárias encontraram-se uma taça ou copo, tipo Odivelas, e um punção de cobre, com pátina esverdeada (figuras 8 e 9). O vaso cerâmico apresenta superfícies muito bem polidas, de cor castanha, com algumas pequenas manchas mais escuras; núcleo castanho muito escuro; e.n.p. de grão médio. Por sua vez o punção é de secção circular, apresentando próximo de uma das extremidades uma secção espalmada, rectangular, aparentemente resultante de uma martelagem intensa que provocou, não só essa modificação de secção, mas também o aparecimento de diversas fissuras macroscópicas nessa zona (figuras 10A, B).

Além destes dois artefactos foi também registado, mas na UE 3600, um calhau rolado de quartzito, um possível núcleo, de cor castanha avermelhada, com diversos levantamentos (figura 8), cuja presença no preenchimento da estrutura se deverá apenas ao acaso.

2.2. Análise Antropológica

No interior da câmara, o esqueleto apresentava-se parcialmente revolvido, verificando-se a existência de peças osteológicas desarticuladas. Este cenário poderá ser consequência de perturbações pós-deposicionais provocadas pela intrusão de fauna, embora uma origem antrópica não deva ser descartada.

O ritual funerário adoptado sugere que o indivíduo foi inumado em decúbito lateral direito, tendo em conta a posição do crânio, depositado sobre o lado direito; o posicionamento dos membros superiores e inferiores não pôde ser determinado, visto estes se encontrarem remexidos (figura 7). A orientação seguida compreende o crânio para Sul e os pés para Norte. A acompanhar este indivíduo estavam uma taça de cerâmica, depositada junto ao membro superior direito, e um punção de cobre colocado na área adjacente ao antebraço direito e ao fémur esquerdo (figura 9).

A análise macroscópica laboratorial deste indivíduo revelou um estado de preservação extremamente debilitado e uma baixa representatividade óssea (figura 11). Todas as peças osteológicas presentes exibem um elevado grau de fragmentação estando apenas representados o crânio, seis peças dentárias, fragmentos de costelas, de vértebras, de duas falanges da mão e dos ossos longos dos membros superiores e inferiores. Como é habitual neste tipo de contextos, é notória uma conservação diferencial, com maior resistência do crânio e ossos longos, cujas características intrínsecas admitem percentagens de osso cortical superiores em detrimento dos ossos chatos e curtos com maior percentagem de osso trabecular (White, 2000). De igual modo, as extremidades dos ossos longos, compostas sobretudo por osso trabecular, ficaram totalmente desintegradas.

As características descritas do material osteológico são a causa basilar para o condicionamento da análise osteobiográfica do indivíduo. Assim, a avaliação do perfil biológico apenas permite afirmar que este esqueleto corresponde certamente a um indivíduo adulto, baseando-nos unicamente no desgaste dentário, o qual é extremamente grave na maioria dos dentes. Dada a ausência da cintura pélvica e o elevado grau de fragmentação do crânio e dos ossos longos, o parâmetro da diagnose sexual foi inexequível, embora em campo se tenha observado que a apófise mastóide se apresentava pequena e discreta, o que segundo os critérios propostos por Buikstra e Ubelaker (1994) se associaria ao sexo feminino. No entanto, dada a incerteza da análise, preferimos classificar este indivíduo como um adulto de sexo indeterminado.

Relativamente ao estudo paleopatológico, os fragmentos presentes não exibem qualquer evidência de lesão. A nível dentário regista-se, como já referido, a presença de desgaste grave em todas as peças, nomeadamente em dois pré-molares superiores, cujo nível de atrito mastigatório levou ao desgaste da totalidade da coroa, alcançando a raiz (tabela 1 e figura 12A). Os incisivos inferiores (FDI 32, 41 e 42) apresentam depósitos de tártaro ligeiro nas faces lingual e bucal (figura 12 B).

Fig. 3 - Pedra in situ constituinte do fecho do Hipogeu 36 de QC5.

Fig. 5 - A-Planta da câmara com a inumação e respectivas dádivas funerárias; B-Planta do Hipogeu 36.

Fig. 6 - Perfil do Hipogeu 36 entre A e B (ver Fig. 5B).

Fig. 4 - Hipogeu 36. Em primeiro plano o átrio e ao fundo a câmara.

Fig. 7 - A inumação in situ na câmara, com as respectivas dádivas funerárias.

Fig. 8 - Em cima: dádivas funerárias. Em baixo: possível núcleo em quartzito proveniente da UE3600.

Fig. 10 - O punção e diversas imagens obtidas por microscopia óptica revelando fissuras (A, B, C) e bandas de segregação alongadas (D).

Fig. 9 - O punção in situ, possível "alène", entre o antebraço direito e o fémur esquerdo.

Fig. 11 - As peças osteológicas recuperadas mostrando um elevado grau de fragmentação.

Fig. 12 - A-alguns dentes com desgaste severo ou, mesmo, da totalidade da coroa; B-Incisivos com depósitos ligeiros de tártaro.

Dente/FDI

Graus de desgaste

Pré-molar superior direito

8

Pré-molar superior esquerdo

7

32

5

41

5

42

5

45

7

Tabela 1 - Avaliação do desgaste dentário do indivíduo [3604], baseada em Smith (1984).

2.3. Datação por Radiocarbono

Dado o interesse em se obter uma datação absoluta para o contexto de enterramento do hipogeu da Sondagem 36, tendo em atenção a má preservação do esqueleto em causa e a sua elevada fragmentação, bem como a ausência de muitos restos ósseos, a datação do mesmo teria de ser necessariamente efectuada pelo radiocarbono, pela técnica de AMS. Para evitar qualquer tentativa malograda de aplicação desse processo, escolheu-se uma amostra que tivesse um teor aceitável de colagénio. Para isso, após uma análise macroscópica dos restos ósseos conservados, escolheram-se seis amostras de osso aparentando estar melhor conservado, tendo sido determinado o seu teor em azoto (o teor de colagénio é cerca de 3 vezes o teor em azoto). Verificou-se que a amostra do úmero esquerdo (amostra 9) era aquela que apresentava o valor mais elevado da concentração em azoto: 1,34 %, sendo por isso a seleccionada para datação. Após processamento desta amostra (QC5S36UE3604/9), verificou-se que a razão C/N (carbono/azoto) era de 3,3, enquanto que as razões isotópicas, determinadas por IRMS (Isotope Ratio Mass Spectrometry), foram as seguintes: δ13C= -19,2 ‰; δ18O=+8,5 ‰. Estes valores isotópicos são compatíveis com uma dieta à base de organismos terrestres e, conjuntamente com o teor de azoto e o valor da razão C/N, indiciam uma boa fiabilidade para a data convencional de radiocarbono obtida:

Beta-467882 3430 ± 30 BP

a qual convertida em anos do calendário solar, fazendo uso da curva de calibração IntCal13 (Reimer et al, 2013) e do programa OxCal (Bronk Ramsey, 2001), origina os seguintes intervalos (ver figura 13):

para 1 σ (68,2 % de probabilidades) 1858 - 1855 cal BC

1771 - 1686 cal BC

para 2 σ (95,4 % de probabilidade) 1876 - 1841 cal BC

1821 - 1797 cal BC

1782 - 1643 cal BC

Assim, poderá afirmar-se que o contexto funerário em causa será datado dos finais do primeiro quartel ou dos inícios do segundo quartel do II Milénio a.C. ou, por outras palavras, da transição do primeiro para o segundo quartel do II Milénio a.C.

2.4. Análise Arqueometalúrgica

Considerando o significado arqueológico do punção - além de ter uma forma pouco comum, trata-se do único exemplar metálico recuperado neste contexto funerário - a caracterização deste artefacto recorreu a técnicas de microanálise, nomeadamente à micro espectrometria de fluorescência de raios-X, dispersiva de energias (micro-EDXRF) e à microscopia óptica (MO). Esta metodologia permite analisar uma área diminuta do artefacto sendo, portanto, necessário remover a camada de alteração superficial apenas numa pequena área (2-5 mm de diâmetro). Após a caracterização elementar e microestrutural do punção, a área afectada foi revestida com um inibidor de corrosão (BTA, 3% em etanol) e uma camada de protecção (Paraloid B72, 10% em etanol).

A caracterização por micro-EDXRF foi efectuada num espectrómetro ArtTax Pro (Bronk et al., 2001), tendo sido analisados quatro áreas (diâmetro <100 mm) com as seguintes condições experimentais: 40 kV de diferença de potencial, 600 µA de intensidade de corrente e 100 s de tempo de aquisição. A metodologia de análise, exactidão e limites de detecção dos elementos significantes encontram-se publicados em Valério et al. (2018). A caracterização microestrutural foi realizada num microscópio estereoscópico Zeiss SteREO Discovery.V20 com ampliações entre 10 e 150×, tendo-se observado a superfície metálica contrastada com uma solução aquosa de cloreto de ferro (FeCl3).

As análises por micro-EDXRF revelaram que o pequeno punção da Quinta do Castelo 5 é essencialmente constituído por cobre, apresentando também teores reduzidos de arsénio, chumbo e ferro (tabela 2).

A caracterização por MO permitiu identificar diversas fissuras de grande dimensão, quer numa das extremidades do punção (figura 10A), quer mais perto da sua zona central (figura 10B). Para além disso, a área preparada para as microanálises revelou a existência de fissuras internas longitudinais, estando estas preenchidas por produtos de corrosão (figura 10C). A análise microestrutural mais pormenorizada identificou bandas de segregação muito alongadas (figura 10D), as quais comprovam uma deformação intensa da área observada. Esta deformação resultou de uma martelagem que, por ser excessiva, provocou as diversas fissuras observadas ao longo do punção.

A composição do punção do Hipogeu 36 de QC5 integra-se perfeitamente na metalurgia do cobre do sul do território, durante a transição do primeiro para o segundo quartel do II Milénio a.C. A liga de bronze (cobre e estanho) surge nesta região durante o segundo quartel do II Milénio a.C., tal como comprovado pela existência de um punhal no hipogeu de Belmeque, Serpa (Soares, 1994) e de um punhal e dois punções em igual número de hipogeus em Torre Velha 3, Serpa (Valério et al., 2014). No entanto, neste período cronológico a metalurgia encontra-se ainda dominada pelos cobres com teores variáveis de arsénio, com a predominância dos cobres arsenicais (As> 2 %) (Valério et al., 2014 e 2016). Devido à cor mais prateada das ligas de cobre arsenical, o teor elevado de arsénio é usualmente relacionado com artefactos de prestígio que, no entanto, não parece ser o caso deste interessante punção.

3. Discussão

Como é do conhecimento geral, deve-se a Schubart (1971a, 1974, 1975, 1976) a definição do Bronze do Sudoeste, o qual geograficamente abarca o sul português (toda a região a sul do paralelo de Évora), a província de Huelva e parte da de Badajoz. Essa definição baseou-se, essencialmente, nas dádivas funerárias, as quais provinham, na sua esmagadora maioria, de enterramentos em cista, geralmente individuais e em que o corpo era inumado em posição fetal. Schubart propõe a divisão do Bronze do Sudoeste em duas Fases. Uma primeira, Bronze I, em que as cistas, normalmente, têm maiores dimensões que as da fase seguinte e, por vezes, se encontram enquadradas por estruturas tumulares. As dádivas funerárias de cerâmica caracterizam-se pelo designado “estilo metálico”, habitualmente taças carenadas, de carena baixa, de que as taças tipo Atalaia constituem os exemplares mais vulgares. Surgem, pela primeira vez, os punhais de rebites e uma ou outra alabarda, tipo Montejicar. A esta Fase sucede-se uma outra, Bronze II, caracterizada por cistas mais pequenas e conjuntos cerâmicos com novas formas, como as garrafas, os vasos de nervuras verticais, os vasos com decorações de faixas horizontais, as taças de carena baixa bastante acentuada e côncava, de que são exemplos as taças tipo Santa Vitória e tipo Odivelas. Os punhais de rebites teriam, agora, maiores dimensões e para os finais deste período apareceriam os primeiros artefactos de origem exógena, como seriam as contas de vidro encontradas, por exemplo, na necrópole da Atalaia. O Bronze do Sudoeste encontrava-se na sequência do “Horizonte de Ferradeira”, também definido por Schubart (1971b). Este estabeleceria a transição entre o Calcolítico e a Idade do Bronze, enquanto o terminus do Bronze do Sudoeste nunca foi cabalmente caracterizado por aquele investigador alemão, embora um Bronze tardio, com cerâmica com decoração brunida (ornatos brunidos), seja por ele englobado no Bronze II e contemporâneo das primeiras sociedades da Idade do Ferro (Schubart, 1971a, 1975). O “Horizonte de Ferradeira” seria datado de 1800 a 1500 a.C., enquanto o Bronze I do Sudoeste estaria cronologicamente compreendido entre 1500 a 1100 a.C. e o Bronze II entre 1100 e 700 a.C.

As Fases definidas por Schubart baseavam-se essencialmente em critérios tipológicos do acervo cerâmico. As suas fronteiras cronológicas começaram, entretanto, a ser postas em causa à medida que a aplicação da datação pelo radiocarbono a contextos arqueológicos, designadamente do Calcolítico e da Idade do Bronze, se começou a vulgarizar entre nós e no país vizinho (ver, por exemplo, Barcelo, 1991), ao mesmo tempo que um Bronze Final (ou Bronze III), em parte caracterizado pela cerâmica de ornatos brunidos, começou a tomar forma. Assim, passados cerca de vinte anos sobre a síntese elaborada por Schubart, aquelas balizas cronológicas foram profundamente revistas (Gomes, 1995; Parreira, 1995; Soares e Silva, 1995), embora não haja uma concordância absoluta nos valores que lhes foram atribuídos pelos diversos autores (ver Tabela 3). Contudo, a partição cultural do Bronze do Sudoeste efectuada por aquele autor, especificamente a subdivisão do Bronze Médio ou Bronze Pleno em duas Fases, continuava a ser aceite.

Nos últimos anos, devido principalmente às inúmeras intervenções arqueológicas de campo, associadas às medidas de minimização de impactes sobre o património cultural, realizadas no âmbito da realização do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, o conhecimento sobre a Arqueologia do sul do país, designadamente sobre o Calcolítico e o Bronze do Sudoeste, complementado com investigações arqueométricas de diversos tipos, sofreu um enorme incremento.

Em estudo recente, procurou-se afinar a cronologia para o Bronze do Sudoeste (Mataloto et al., 2013), tendo por base o conjunto de datas de radiocarbono publicadas para contextos arqueológicos do Sudoeste Peninsular, quer atribuíveis ao Calcolítico Final, incluindo contextos campaniformes e, por conseguinte, também os do designado “Horizonte de Ferradeira”, quer os atribuíveis ao Bronze do Sudoeste, incluindo os do Bronze Final, quer, ainda, os referentes ao designado Orientalizante. O tratamento estatístico desta base de dados, com cerca de 300 datas de radiocarbono, permitiu a elaboração de uma proposta de subdivisões e respectiva cronologia para o Bronze do Sudoeste, a qual se apresenta resumidamente na Tabela 4.

Note-se que, no trabalho em causa, não se teve em conta a partição em duas Fases do Bronze do Sudoeste realizada por Schubart. Contudo, essas Fases e respectivas caracterizações têm continuado a ser consideradas válidas por alguns arqueológos, permitindo-lhes atribuir uma cronologia relativa dentro do Bronze do Sudoeste a contextos sem datações absolutas (veja-se, por exemplo, Porfírio e Serra, 2016). Por isso e aproveitando, agora, os dados obtidos no estudo do Hipogeu 36 da Quinta do Castelo 5, que embora escassos nos parecem importantes, julgamos que será altura para proceder a algumas reflexões sobre essa partição do Bronze do Sudoeste, das quais poderá resultar uma revisão das balizas cronológicas que lhe têm sido associadas, bem como uma validação ou não dos conceitos por detrás da existência dessas Fases.

Fig. 13 - Calibração da data Beta-467882 3430±30 BP.

O tipo de estrutura funerária aqui estudada, um hipogeu, não era conhecido na Idade do Bronze do Sudoeste peninsular quando Schubart publicou o seu importante trabalho de síntese (1975), embora a sepultura de Belmeque tivesse já sido publicada por este autor (Schubart, 1974). Contudo, a arquitectura dessa estrutura de Belmeque encontrava-se mal caracterizada, além de, nessa altura, constituir exemplar único. Como referido atrás, Schubart considerava as cistas - caixas pétreas normalmente rectangulares ou trapezóidais, constituídas vulgarmente por quatro lajes colocadas de cutelo e cobertas por outra laje, onde se depositava o corpo em posição fetal - como a estrutura funerária típica e quase única do Bronze do Sudoeste. Hoje sabe-se que as inumações podem ocorrer numa grande variedade de estruturas: não só em cistas, isoladas ou fazendo parte de necrópoles de extensão diversa, inseridas em tumuli de arquitectura também diversa, mas também em fossas rectangulares ou em fossas tipo “silo”, em hipogeus (grutas artificiais constituídas por câmara funerária e átrio, apresentando várias arquitecturas) e, ainda, em reutilizações de monumentos funerários colectivos de cronologia neolítica ou calcolítica. A qualquer destas estruturas funerárias não se pode atribuir a priori uma cronologia específica dentro do Bronze do Sudoeste. Por exemplo, os hipogeus funerários, de que existem exemplares no Sudoeste datados da 2ª metade do IV Milénio a.C. (Valera et al., 2008), portanto anteriores ao Bronze do Sudoeste, encontram-se registados também para o “Horizonte de Ferradeira” (Hipogeu 156 do Monte das Aldeias, datado do último quartel do III Milénio a.C. (Beta-338483 3670±30 BP, Mataloto et al., 2013) a partir de um fio de linho enrolado em volta de uma “alène de cobre, a qual constituía uma das dádivas funerárias recuperadas no monumento). Para o Bronze Pleno do Sudoeste têm sido registados diversos monumentos deste tipo, entre outros o hipogeu aqui estudado, datado da transição do primeiro para o segundo quartel do II Milénio a.C., os hipogeus da Torre Velha 3 datados do segundo e terceiro quartéis do II Milénio a.C. (Alves et al., 2010, tabela 3) e o Hipogeu de Belmeque datado da transição do segundo para o terceiro quartel desse mesmo Milénio (Soares, 1994). Por fim, de uma cronologia mais recente, os Hipogeus 2 e 4 do Monte da Ramada 1, datados do Bronze Final do Sudoeste (sécs. X-IX a.C., Valério et al., 2018). Por outro lado, qualquer destes tipos de monumentos funerários - cistas, hipogeus, fossas, reutilizações de monumentos megalíticos - não se pode atribuir a um momento ou a um período temporal específico do Bronze do Sudoeste, uma vez que coexistem ao longo de toda a época do Bronze (veja-se, por exemplo, Soares et al., 2009).

Também, e como as intervenções no sul do país associadas à implementação da Rede de Rega do Alqueva têm vindo a mostrar, durante o II Milénio a.C., quer nos primeiros séculos (Bronze 1), quer nos séculos seguintes (Bronze 2), o tipo de povoamento não parece sofrer qualquer modificação ao longo do tempo. Seria um povoamento disperso, de que os “campos de hoyos” (fossas tipo “silo”), implantados em áreas planas, são vestígios recorrentes, para só no final do Milénio, durante o Bronze Final do Sudoeste, surgirem os povoados em altura, fortificados, embora os inseridos em zonas planas, aparentemente sem quaisquer estruturas defensivas, também continuem a existir (Soares, 2013).

Cu (%)

As (%)

Pb (%)

Fe (%)

98,4 ± 0,2

1,41 ± 0,17

0,12 ± 0,03

<0,05

Tabela 2 - Composição elementar do punção do Hipogeu 36 da Quinta do Castelo 5 (média ± desvio padrão de 4 microanálises).

As dádivas funerárias da inumação efectuada no Hipogeu 36 de QC5 consistem, como referido atrás, num punção de cobre e num vaso de cerâmica, uma taça ou copo tipo Odivelas. O punção, com cerca de 1,4 % de arsénio e ainda com impurezas de chumbo e ferro, apresenta próximo de uma das extremidades, numa área em que a secção se espalma, tornando-se rectangular, vestígios de uma martelagem intensa, que provocou diversas fissuras macroscópicas (Fig. 10). O aspecto deste punção assemelha-se um pouco ao de uma “alène”, tipo de punção datável dos finais do III, inícios do II Milénio a.C. (veja-se, por exemplo, a “alène” do Monte das Aldeias, atrás referida, ou as da Estrutura 1 do Monte Novo dos Albardeiros publicadas por Gonçalves, 1988/89), o que sugere que o metalurgista procurou obter aquela forma ou, pelo contrário, este exemplar terá resultado da reciclagem de um punção desse tipo, o que, qualquer que seja o caso, condiz bem com a cronologia determinada para a inumação. Quanto à outra dádiva funerária, a taça tipo Odivelas, a tipologia cerâmica em que esta taça se insere foi considerada por Schubart, conjuntamente com as garrafas, os vasos de nervuras verticais e os vasos com decoração de faixas (onde se poderá incluir o magnífico vaso com canudos de Belmeque), como característica do Bronze II do Sudoeste. No entanto, embora as datações de radiocarbono disponíveis para contextos com vasos destas tipologias sejam ainda escassas, têm-se obtido cronologias do segundo quartel do II Milénio a.C. para alguns destes vasos (cf., por exemplo, Alves et al., 2010, tabelas 1 e 3), a que se junta agora a data, um pouco mais recuada, para esta taça tipo Odivelas de QC5. Contudo, uma outra taça, uma “taça carenada afim do tipo Odivelas” (Soares e Silva, 1995, 136), que apresenta “uma decoração externa constituída por triângulos incisos sobre a carena” (Gomes e Monteiro, 1976-77, 286, nota 3), já tinha sido datada do primeiro quartel do II Milénio a.C. Trata-se da taça da sepultura 1 da Herdade do Pomar, para a qual se obteve a data ICEN-87 3510±45 BP (Barcelo, 1991; Soares e Cabral, 1993).

Os dados conhecidos sobre o Bronze do Sudoeste e carreados para a discussão que realizámos, quer se refiram ao mundo funerário, designadamente no que concerne às estruturas, às dádivas ou aos rituais funerários, quer digam respeito às estruturas de habitat, nomeadamente à sua implantação na topografia da região, não permitem uma caracterização que distinga as duas Fases (Bronze I e Bronze II) propostas por Schubart. Note-se, como já referido, que essas Fases tinham, essencialmente, por base uma distinção tipológica do acervo cerâmico proveniente das estruturas funerárias conhecidas na altura, mas que o desenvolvimento posterior da investigação arqueológica complementada por análises arqueométricas, designadamente de cronologia absoluta, as tornou obsoletas e, segundo nos parece, sem qualquer significado cultural. A ser assim, com os dados conhecidos hoje, a tipologia cerâmica não poderá de todo continuar a constituir o indicador com o qual se possa estabelecer uma cronologia relativa para os contextos do Bronze Pleno do Sudoeste.

4. Considerações Finais

O estudo do Hipogeu 36 da QC5 permitiu novos dados sobre o Bronze Pleno do Sudoeste e serviu de base de partida para algumas reflexões sobre a partição deste período cultural efectuada por Schubart na sua importante obra de síntese “Die Kultur der Bronzezeit im Südwesten der Iberischen Halbinsel”. Se os dados carreados por este investigador para a obra mencionada constituem um corpus importantíssimo, que não pode ser ignorado em qualquer investigação que tenha por tema o Bronze do Sudoeste ou contextos a ele atribuídos, o que é certo também é que a investigação arqueológica desenvolvida posteriormente à publicação dessa obra tem produzido resultados que clarificam e precisam algumas das inferências nela contidas, enquanto outras são claramente postas em causa.

O Hipogeu 36 da QC5, bem como as dádivas funerárias aí registadas, designadamente uma taça tipo Odivelas, atribuíveis, pela datação pelo radiocarbono do esqueleto ali depositado, aos finais do primeiro, inícios do segundo quartel do II Milénio a.C., conjuntamente com o conhecimento já adquirido de que o designado “Horizonte de Ferradeira” se prolongará pelo primeiro século desse milénio, além de que as diversas arquitecturas e rituais funerários coexistem ao longo do II Milénio, independentemente do período temporal e da região considerada, põem em causa a subdivisão em duas Fases do Bronze Pleno do Sudoeste. Também a estrutura de povoamento parece não ter sofrido qualquer modificação ao longo do milénio, a não ser no último ou nos últimos dois séculos, quando surgem os povoados de altura, quase todos fortificados, quando até aí as áreas de habitat são aparentemente dispersas, em zonas de planície, das quais o registo arqueológico apenas identifica estruturas negativas, vulgarmente fossas de planta circular.

Por fim, julgamos que, a exemplo deste nosso trabalho, a exploração dos dados, não só arqueográficos, mas também arqueométricos, obtidos ou a obter a partir das intervenções arqueológicas de campo, designadamente das relacionadas com o Empreendimento de Alqueva, das quais uma grande parte ainda se encontra inédita, poderá contribuir para um conhecimento mais aprofundado, rigoroso e fiável da arqueologia do Sudoeste Peninsular.

Período

Início

Final

“Horizonte de Ferradeira”

2650/2560

2070/1930

Bronze Pleno do Sudoeste

2070/1930

1170/1050

Bronze Final do Sudoeste

1170/1050

780/730

Orientalizante

860/810

760/680

Tabela 4 - Proposta de subdivisões e respectivas cronologias (anos a.C., 2σ) para o Bronze do Sudoeste, segundo Mataloto et al. (2013).

Gomes (1995)

Parreira (1995)

Soares e Silva (1995)

“Horizonte de Ferradeira”

2000 - 1800 a.C.

“Horizonte de Ferradeira”

Bronze inicial

2200 - 2000 a.C.

Bronze Antigo do SW

2200/2100 - 1900/1800 a.C.

Iª Idade do Bronze do Sudoeste

1800 - 1500 a.C.

Bronze do SW I

Bronze médio antigo

2000 - 1700 a.C.

Bronze Médio I

1900/1800 - 1600/1500 a.C.

IIª Idade do Bronze do Sudoeste

1500 - 1200 a.C.

Bronze do SW II

Bronze médio recente

1700 - 1200 a.C.

Bronze Médio II

1600/1500 - 1200 a.C.

Bronze Final

1200/1100 - 800 a.C.

Bronze do SW III

Bronze final

1200 - 700 a.C.

Bronze Final

1200/1100 - 800 a.C.

Tabela 3 - Propostas de subdivisão do Bronze do Sudoeste e respectivas balizas cronológicas.

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